eu vendo pratos - praia do Curral, Ilhabela (por Elena Prina)
O caminho até a ilha das pedras é feito com barco a vela. Ponho as mãos no riacho e vejo meus quatro dedos abrirem rasgos na beira do lábio da água de são miguel. para chegar à ilha, muito ruído. eu vendo gozo aos peixes de boa vontade.
Eu coleciono besouros azuis da casa de judas. Onde a explosão trouxe pequenos abalos de madeira. farpas que habitam orelhas. quando me acidentei, o estrume do asfalto grudou na palma da minha mão e eu perdi minha linha da vida. a borboleta que tatuei no calcanhar.
Alguém pede ajuda no chuveiro. mas já durmo há 50 dias e não sou capaz de dizer ao projetor do cinema que a história acabou.
indecisões abstratas. recordações do dia que não raspei maça em tua boca.
A morte é uma cicatriz da tua ampulheta. A morte é o coice dum cavalo inteiro.
pirikitadela. olha a dancinha. muitos acontecimentos por aí. Virada Cultural chegando. voltem sempre, que o mar de rascunhos cresce. avoluma. entumesce e pulsa. beijos e abraços, axé e vida, Otavio.
o marujo do mar - praia do Curral, Ilhabela (por Otavio Ranzani)
COISAS QUE APRENDI SOZINHO EMBAIXO DO CÉU DA LUA
# Coletar caramujos perto do rio pode ser perigoso. a gosma te denúncia e o jacaré vem puxar teu pé de noite.
# Chupar manga na frente do espelho espanta mal olhado. os fiapos melindram o primitivo do ser humano: um sabor de cara mal lavada.
# Pescar no poço do vizinho é pedir um assalto no teu varal. A rede da aranha não te protege, marajá.
# As guengas ruivas são mais quentes que as brancas. entretanto, deixar elas botarem lenha no fogão é arriscado. feito suicídio de sapo no verão.
# Colecionar a felicidade da pessoa apaixonada é entediante. as figurinhas repetidas crescem e o bolo não cabe no bolso. bater bafo só com o padre. periga cometer pecado.
# Esquecer de cozinhar o leite pro doce faz bem à saúde.
# Esquecer de panhar a flor de maracujá pra mulher da tua vida deixa a vida amarga e babada. Aprendi que devo falar pra ela os motivos do meu flamenco. e da missão dela aqui, que não é subir paredes com as patas pro ar. Viver desse jeito sonso só atrasa a humanidade, Maria.
# As barbas do mar comeram meus pés. deus não me avisou, e mandou um telegrama depois das frieiras já habitarem minhas unhas. A liberdade tem seu preço, pescador.
# Existem peles que só se roçarão no subsolo. isso só quando a gaivota vier buscar o amor e a reencarnação de olhos puxados carregar nosso olhar pro mundo das tabaranas. Percebi que fritar bolinho de chuva antes da massa amadurecer deixa o céu roxo.
# A morte chega galopando e o calor do meio das pernas babando festas e arrepios. Entendi que mergulhar aumenta a barriga se você engole tuas inquietações, cigano.
Post dedicado ao mestre Manoel de Barros. releia com atenção. E a Editora Patuá veio preencher espaço importante na literatura brasileira. confira. um show de arte e palavras. Falando em mergulho, visitem a Narwhal no Morumbi: e mergulhe em Ilha Bela. Seguinte, saiu um texto meu inédito especialmente para as Publicações Iara, onde você tem coisa fina e da boa. Beijos e Abraços, caneleiros. Axé. Otavio.
"a BARRA do amor, é que ele é meio ermo. a barra da morte, é que ela não tem meio termo" / já que taí, pela metade mais tá, melhor cuidar, pra peteca não cair...
a resiliência da morte é o resto da peneira de coloridas tramas.
axé. post em homenagem. adesão. a primeira estrofe vai pra Elis, cada vez mais submersa na sociedade. o poema é pra grande inspiradora deste blog, Estamira. tenho recebido indicações de outras existências, outras estamiras. o mundo será, ainda sem controle, de estamiros. as estamiragens da rotina. assisti a mais dois documentários incríveis. ela pode transformar sua visão. as fotos vieram de dois parceiros: contato em energias. em poucos e pesados bits. a vida. É Tunai, a coisa é petecar. não percam, o lançamento do livro da amiga, Alê Safra. no Rio e em São Paulo. Forte abraço, beijo me liga, Otavio.
a PAIXÃO É O SUMO DOS INSEGUROS o ALVO DOS PENSAMENTOS LEVE e EXCITADOS.
"vc pode até achar que eu não gosto nem mesmo de mim... tantantan e que na minha idade, só a velocidade, anda junto a mim" (por Otavio Ranzani)
"Por acaso algum dia você se importou Em saber se ela tinha vontade ou não E se tinha e transou, você tem a certeza De que foi uma coisa maior para dois Você leu em seu rosto o gosto, o fogo, o gozo da festa E deixou que ela visse em você Toda a dor do infinito prazer E se ela deseja e você não deseja Você nega, alega cansaço ou vira de lado Ou se deixa levar na rotina Tal qual um menino tão só no antigo banheiro Folheando as revistas, comendo as figuras As cores das fotos te dando a completa emoção São perguntas tão tolas de uma pessoa Não ligue, não ouça são pontos de interrogação E depois desses anos no escuro do quarto Quem te diz que não é só o vício da obrigação Pois com a outra você faz de tudo Lembrando daquela tão santa Que é dona do teu coração Eu preciso é ter consciência Do que eu represento nesse exato momento No exato instante na cama, na lama, na grama Em que eu tenho uma vida inteira nas mãos."
"Dedico este trabalho a todos que compartilham esta experiência chamada Vida, que ao menos da forma como a conhecemos, é finita, pode até ser breve e doída, mas ainda assim é preciosa, misteriosa, bela e única." Daniel Forte