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Em Tempos de Futebol
Abaixo, transcrevo pergunta feita ao poeta Fabrício Carpinejar publicada na revista digital Tanto. Pra quem não conhece, Fabrício é um grande escritor contemporâneo, manda muito bem na poesia... no blog, com crônicas e reflexões (ora hilárias ora muito verdadeiras sobre relacionamentos pais filhos, homem mulher e etc) e também tem um Consultório Poético na Revista Superinteressante.
Pelé
Como foi a sua infância em Caxias do Sul e Porto Alegre? Deixei Caxias do Sul aos dois anos. Guardo apenas o cheiro do lugar, o odor de mata encravada das serras. Minha infância ocorreu em Porto Alegre. Sou de uma família que cada irmão cuidava do outro. Fui e sou uma criança autista, que encontrou na linguagem seu amigo imaginário. Eu falava comigo quando pequeno. Nunca me deixei sem conversa. Inventava brinquedos a partir dos brinquedos destruídos dos irmãos. Com uma perna só de um boneco, já criava o teatro. Sofri apelidos, enfrentei meu medo, não parava em livro nenhum, roubava frutas e arrastava a bola em garagens, terrenos baldios e na rua. Da minha infância, jogava futebol doze horas. Nas outras doze, sonhava que jogava futebol. Tímido, não me deixei recalcado. Feio, não me satisfiz com a aparência. Minhas dificuldades de aprendizagem reforçaram o sentido de que teria que sempre conquistar a fala.
Vale ressaltar que minha infância não tem muito a ver com esta relatada (o futebol não é meu campo, mas gosto de ver quem sabe fazer dele uma conversa de bar). Porém, algumas passagens são de encher a boca de pinga: "Nunca me deixei sem conversa... Nas outras doze, sonhava... tímido, não... Feio, não... conquistar a fala." Pessoal, reflitam.
Escrito por Otavio Ranzani às 16h52
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Poeminha do pensamento da mulher que se acha e pode
Saia Índigena
Debaixo da saia
Trago
uma legião
de expectadores
recorrendo a
uma respiração
rápido esfolegante.

Marilyn Monroe
Escrito por Otavio Ranzani às 11h24
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Qual a sua cota mensal para saídas de emergência?
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Conheça as saídas de emergência. As janelas são saídas, abra-as normalmente ou, em ônibus de vidros fixos, quebre os vidros com o martelo localizado debaixo das janelas. |
Alguém resolveu sair de casa. ir visitar a tia na cidade pequena. Foi de ônibus, viação cometa... no verso do bilhete da embarcação, encontrou a mensagem acima. Sabia dos prós e contras de viajar por dentro do busão. Sem música, o frio embaraçava os olhos. não que escutasse pela visão. E refletiu.
Concluiu que conhecer saídas de emergência é fundamental, porém, teve razão de pedir ao motorista a seguinte sentença: NÃO ABUSE. Dentro do campo das janelas, as coisas complicam. Acreditava que a mensagem em si era esclarecedora, e pedia a seus olhos que relessem compulsória e normalmente.
E perguntava ao vizinho de poltrona:
vale a pena fechar portas e abrir janelas?
E o que Machado de Assis tem a ver isso?*
Onde (ou aonde) estão os martelos?
Há quem precise de picaretas?
Cometas Cadentes, por Luciana Carvalho
* - Equilíbrio das Janelas, Memórias Póstumas de Braz Cubas e outros...
Escrito por Otavio Ranzani às 23h15
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Otavio Ranzani Estudante/da vida
BRASIL, Sudeste, Homem, de 20 a 25 anos
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