"As idéias são como as nozes, e até hoje não descobri melhor processo para saber o que há dentro de umas e de outras, senão quebrá-las" - Machado de Assis
Meu povo Caneleiro: desculpas por este tempo prolongado e não atualizado deste terreiro.

Tenho tido medo das canções de sábado no fim da tarde. Medo da vida que passa além da escrivaninha. Sibila e eu tínhamos planos: trunfar no cafezal à procura do ninho do beija-flor. Hoje, ele finge rir de meus pensamentos e Sibila pertence ao grupo das amigas lá da Fazenda Boa Vista. Ali, percorrem o riacho com a beira das saias fazendo cócegas no dorso de água e, lampiando, cócegas no tornozelo.
Tenho tido anseio de morrer deitado no campo. Zefa me benze rotineiramente e canta, aos modos e votos, pro sabiá poncã agitar meu amanhecer. Dizem que tenho ciúmes da vaca que desde menino eu tirava leite e vejo que este não passa de zelo de amor. Tenho visto o brilho nos olhos claros e profundos da menina na casa do meieiro: ela é fonte de vida àquela economia.
Hoje vi que a mangueira concorre pelas cobras junto à paineira. Vi que para fazer o bem por aqui devo manter as atividades. Faz falta uma máquina fotográfica, um telefone e uma cartucheira. Balas com pedaços de idéias e gratidão.
Tenho tido medo e repito: que a Festa de São João chegue logo.
Penso que a dificuldade está em fazer entrar o ar nos pulmões.
Lampião à Direita.
Não percam: Fabrício Carpinejar anda inspiradíssimo. A foto de sua primeira namorada é poética. Seus 2 textos sobre o Extermínio do Amor são imperdíveis. Valeu povo. Preciso de inspirações. Logo mais música e poesia. Cantem, Chorem, Amem e Ajudem. Orem. Machado sempre burilando no espaço. Hoje o dia está com a luz na janela e queimando os cristais do óculos. Beijos e Abraços, Caneleiro.
Escrito por Otavio Ranzani às 14h03
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