Café com Canela


e cumprindo a minha jura me vesti de Papai Noel / o tempo passa e os pingos da chuva caem / carcará / chove chuva, chove sem parar... / eu vi mamãe oxum na cachoeira, sentada na beira do rio...

tem gente que só acredita nos relógios que marcam a hora certa...

Ronaldo Fraga 2009 (Alexandre Schneider, Folha Imagens)

             A criança que vive e tem medo das corujas. As canções de Piaf. Aquele que pensa que a chuva consegue derreter os pirulitos coloridos de beira de estrada. E sei que demorou alguns anos para eu entender a força dissociativa da água. A força intensa da água na cachoeira. Em limpar meu nariz e juntar suores. A criança que tinha anseios em experimentar roupa na loja. E eu que gostava de fazer o cuco sair de sua casa várias vezes ao dia. Dar corda e sair de novo.

              Lembrava das histórias de Rapunzel. suas tranças. e o dia que descobri que não eram as renas que comiam o capim que eu apanhava com tanta religiosidade. Onde um dia eu encontrei. A geladeira, quando aberta rapidamente, pode dar zica. O gavião que insistia em me atrapalhar o sono. Seu pio agudo e encorpado. Ver os porcos fazendo amor. A menina que morava em terras vizinhas, andava em pelo, e fazia cócegas no riacho.

              Mas o tempo passa. E meu avô costuma ter soluções práticas pro dia-a-dia. Molhar, com água da mina, o sapato apertado. Umidecer o couro e enfiar os pés. As responsabilidades em saber trançar rebenques. Em poder dizer não, ou sim, aos perdigueiros. Quando aprendi chamar pombadoá com minha garganta. Quando vi que um abajur cor de carne figura na mente dos cumpade muito mais pela cor do que pelo tema.

                  E hoje,

                  fecharam-se. O silêncio qualquer que incomoda crianças. Correr na lama, atolar-se, pegar no barro que seca sem chuva.

 

"Silêncio. Mercadoria de luxo em São Paulo", por Walter Kashinoki (seção Fotografe São Paulo, GD)


Eta. Caneleiros. Certas lembranças da infância, o crescer e o viver. Música. E meu avô que sempre quis viver sem o horário de verão. Misto de ficcção. Ando muito agraciado com o número de visitas no Canela. E os senhores acima botaram pra quebrar. Disseram-me. E a foto abaixo vem diretamente do site interessante de Gilberto Dimenstein. Lá, link sobre a Jornada Fotográfica na Rua Augusta. Leia outros posts, encontre-se. Café com Canela aromatizada. Beijos e Abraços, Otavio.



Escrito por Otavio Ranzani às 18h19
[   ] [ envie esta mensagem ] [ ]


[ ver mensagens anteriores ]


 



Otavio Ranzani
Estudante/da vida


BRASIL, Sudeste, Homem, de 20 a 25 anos

Histórico
Outros sites
  UOL - O melhor conteúdo
  Física Moderna - um blog que explica
  Fabrício Carpinejar, poeta e pensador
  EraoDito, Marcelino Freire
  Fabiana Cozza, cantora
  Ivana Arruda Leite, uma doidivana
  Comédia Fajuta, por Cesarito...
  Minha Melodia...
  Sem CESURA - por Marcio Cenzi
  Ismael Caneppele - lajeado, a ponte e os famosos humanos...
  Samba Cidade, por Renato Rotta
  Troveiro, textos bons, de um amigo...
  Tô ferrada, diversificação - blog da outra Ligia...
  Canela Café - Comunidade no Orkut...
  Sugestões e/ou Reclamações - Todos os Direitos são Reservados - Caso você encontre uma obra sem sua respectiva autoria, por favor, avise-me. Sempre que disponível, ela estará no post.
Votação
  Dê uma nota para meu blog