In a Mellow Tone / "Deus fez o poeta meu bem pra ninguém chorar" / Mentira / Como um palhaço, que desengonçado / A vida é tão rara / Eu, caçador de mim... / o tempo não pára / vemquevemquevemkikando /
"Tem, tem, tem picadeiro de qualidade / Corre, corre, minha gente que é preciso ser esperto / Quem quiser que vá na frente, vê melhor quem vê de perto / Mas no meio da folia, noite alta, céu aberto / Sopra o vento que protesta, cai no teto, rompe a lona / Pra que a lua de carona também possa ver a festa" O Circo, de Sidney Miller, por Nara Leão 
Balões, Angra dos Reis - Rio de Janeiro (por Luciana Carvalho) Porque no circo a vida semeia um capim maduro. Preciso acabar com esta mania de leite com pêra. Lembrar que o circo dá voltas e padece de um bocado de chuva. Molhar o rosto de manhã no tonel da cabana ao lado. Meu trailler. O sol com chuva que aprecio de perto do meu altar. Porque ninguém sabe o que treme a perna na corda bamba. Eu que nem sempre sorrio por trás da maquiagem. Feito a cigana que nem sempre quer ler a sorte de uma moça desesperada ou a mão de um homem que não aceita sua sina declarada. Ando divagando: saltar lá do pedestal, pro público que espera uma tragédia, um suor, um uivo e um ai. Saltar necessita de uma atitude que nem sempre possuo. mas quando salto tenho o prazer que poucos têm. se penso, repenso, amarro meu calcanhar na esperança, ela vem feito mágica. O dia do salto com o cravo na boca fez de mim o palhaço mais confidente da trupe. E veja que a moça do pano não usa shampoo sedoso por ser liso demais. Tem que ter força na cabeça. Quanto às piruetas que as crianças gostam, trouxeram-me bichos de pé. coceira. Saltei 2 vezes sem ter a tela me dando cobertura... como minha vida é feita mais em números ímpares, espero a próxima, o pequeno suicídio alvo. Na ponta do pé, lá em cima, aprendi que o salto melhora com a ambientação. quando se esquece de tentar sentir o vento. aprendi que vivo melhor com o tempo que sinto no pulso que bate em minha orelha quando inspiro pra saltar. dar cambalhota pode ser perigoso. Ter que rodar, ver o choro que se simula, enxugar o batom, fingir o pé torto e aceitar que os músculos têm que estar contraídos para o aplauso. Os aplausos. O bandolim. Lá de cima... feito a submissão de meu salto para o canto da casa. para o pranto em minha intolerância. Feito o cachorro que mija no pino que segura a lona. E a bailarina do circo. O menino que levanta as calças sempre que o espetáculo começa. Sei que quando corro pro gol minhas costas gelam, um arrepio entornece e relembro que um salto nunca se repete.  Céu e Mastro, Angra dos Reis - Rio de Janeiro (por Luciana Carvalho)
Eita. Este texto está sendo escrito mentalmente há tempos. Tenho 3 poemas sobre o circo, mais intensos e singelos e belos que este texto, na minha simples opinião. aqui foi uma mistura. um pensamento que foi escrito na noite corrida. Não deixem de ver Milton Nascimento. De ir ao circo de lona, aqueles antigos. De conhecer o teatro mambembe. O circo mais engraçado que fui quando criança foi na praia. De ver as músicas circenses e as tentativas. E um amigo anda compondo com canto gregoriano: The Chakall. Cruz e Sousa, poeta que tenho sempre ao lado. o famoso Acrobata da Dor. As fotos revelam outras procedências. Interpretações. Fantasmas. O circo de Jorge Ben, de Chico e do Mato. do Circo Voador. Beijos e Abraços Caneleiros, Otavio.
Escrito por Otavio Ranzani às 22h49
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