chupando Drops de anil / Desejo e Perigo / Contos da Lua Vaga / Elba e Zé / a ema / Tango em Paris / arpoardor / Império dos Sentidos / caminhar / os clows de... / beber água da chuva
“_ Diga-me: o que é esse falcão? _ E se eu não lhe dissesse nada? Por que estão todos atrás dele? Faria algo imprevisível? _ Talvez.” S.S./B.O. “Meu Amor Olha só Hoje o sol não apareceu... Minha pequena Eva O nosso amor na última astronave Além do infinito eu vou voar Sozinho com você. E voando bem alto Me abraça pelo espaço de um instante Me encobre com teu corpo e me dá A força pra viver.” G.B./U.T. | “Quem foi que mandou Você me desejar Também adorei O que você gostou A gente podia Até continuar... Mas só” M.P./C.C. O sexo oral de Hilda Hilst me atiça, me faz ter atitude e me estimula a sonhar com caquis. “Podemos sorrir, nada mais nos impede Não dá pra fugir dessa coisa de pele Foi bom insistir, compor e ouvir” J.A./A.M. |
“Nada melhor do que Não fazer nada Só pra deitar e rolar Com você.” R.L./R.C.
“Foi Mistérios e segredo e muito mais Foi divino brinquedo e muito mais Se amar como dois animais” A.V.
“Quando eu te beijo A vizinha reclama A polícia me ganha E o governo declara Guerra Toda vez que eu te beijo A vizinha reclama.” C. “Com sabor de fruta mordida... E se eu achar a tua fonte escondida Te alcanço em cheio, o mel e a ferida E o corpo inteiro como um furacão Boca, nuca, mão e a tua mente não” C. | “O meu amor Tem um jeito manso que é só seu E que me deixa louca Quando me beija a boca A minha pele toda fica arrepiada E me beija com calma e fundo Até minh'alma se sentir beijada, ai Ri do meu umbigo E me crava os dentes, ai De me deixar maluca Quando me roça a nuca E quase me machuca com a barba malfeita E de pousar as coxas entre as minhas coxas Quando ele se deita, ai” F.B.H. |
  
Farhad, Gotas (por Tiago Elídio), Glenn Glasser quando começou Marcelo caminhava esperando o vagão chegar. ofereceram ajuda e tal qual uma ave precisa de um vento, ele apoiou seu braço, tipo entrelaçado, no braço da moça que se ofereceu. foi a primeira vez. De perto ele sentiu o perfume e um atrito. percebeu que o normal da batedeira tinha razão. E devido a uma pane na cidade naquele dia, o vagão não veio. apesar de ter telefones úteis na agenda, Marcelo não telefonou. não deu notícias. foram pro canto da estação, no meio, encostou suas costas na parede e disse: pouco eu não quero mais. foi intenso e tímido. A moça assustou de começo, mas assistiu ao desejo. Ali começou a qualidade, a estrutura de vida, o caminhar e o acúmulo de palavras. Marcelo tinha costume de agir como turista sempre que saía com uma mulher. visitava lugares conhecidos e prováveis. visitava, tirava foto das curvas, registrava momentos. depois de três a quatro idas ao quarto, da intimidade periférica, buscava lugares não óbvios. Não tirava mais foto e sim criava na mente um mapa e seus acidentes. Suas texturas e sons. Aliás, Marcelo adorava passar perfume em lugares não comuns, só pra ter onde procurar. A música ambiente era capricho. Sempre tinha um vinil na vitrola, um mp3 pra tocar ou preferia o som ambiente dos lugares onde estava. Marcelo demorou a ir pra balada. Tinha receio de como se comportar. não poderia usar óculos escuros. até conhecer raves. Mas foi passageiro. logo, após aulas, conseguia se comportar bem e junto dos amigos comia pastéis. Marcelo tinha sonhos. O vício do homem era atrair uma cabrocha, ir pro fundo da balada, e puxar, com a mão, o sentimento guardado atrás do joelho de mulher. subir com a palma da mão pelo joelho, coxa, costas e tudo mais. Tinha o vício de sempre que dava o primeiro beijo do dia ir com a palma da mão direita pela maça do rosto, deslocar o cabelo lateralmente, chegar atrás da orelha, prender a nuca e trazer continua e publicamente os lábios. com a esquerda, às vezes começava pelo ombro ou pelas costelas, conjuntamente. Marcelo sempre teve paixões e vícios. Em certos momentos, beijava de olhos abertos por preferir a realidade à fantasia. apesar de isso não lhe fazer muita diferença. Quando usava a cama, às vezes começavam em pé, do lado da porta, e ele puxava-a pra perto, sentava na beira da cama, rodava-a e ficavam um no colo do outro. levantava o cabelo e beijava a nuca. Imaginava e via um corpo só. Marcelo rotineiramente apanhava dos sutiens. Aí, inventaram os que abrem pela frente. Marcelo então desistiu. Abre com a boca. escorrega. Ou então pede ajuda. Ta-hí Marina de La Riva, queria te encostar na parede. Certa vez gritou: escuta, eu não sou surdo. foi quando saía com um doce, que sequer nunca disse um som na cama. não gostava de escandâ-los. Marcelo aprendeu com os peão do sítio: deixava a cama uns 2 palmos de distância da parede, assim, quando estivesse praticando o sexo da festa contente, o barulho de bater o batente da cama na parede deixaria a vizinhança soberba. certo compasso musical. Marcelo repetiu o feito no apartamento que comprou na cidade. Nunca os síndicos reclamaram. Aquele barulho. No elevador, às vezes pressentia de longe quem o conhecia. pressentia também mulheres que não estavam contentes. Marcelo era sensível com tons, timbres, batons e o jeito de tocar no botão do elevador. Um tango, uma música cubana, uma onda do mar, um aquário, um espelho e seis taças de vinho. barulho que apreciava era o de cachoeira. Com ela no colo, deixa-a escorregar pra cama. Aí ele deita, solta o peso do corpo e pressiona. Com seu lábio sai de um ponto da pele dela: o canto esquerdo da boca e vem descendo... passando a face e seus componentes por aproximadamente cinco obstáculos, fazendo loopings. Tem uma sequência na cabeça, que às vezes lembra um jogo de pinball. faz, tal qual o jogo, uma sequência aleatória, ou não, do canto esquerdo da boca até descer. faz pit-stops. depara-se com mataburros, pêssegos e tapiocas. encontra no caminho diferentes atritos, bate-volta, saliências e acumula energia pra loopings e sequências promocionais. Marcelo gosta de trocar experiências. Nunca cobrou. dificilmente acontece, mas aprende matemática. Depois do começo, aprendeu que se imaginasse menos a versão do lado de fora, guardava mais tensão e conseguia fazer 2,3,4,5 cestas. cinco descargas elétricas e contrações. não negava que já havia broxado quando menos queria. que tinha ficado sem atitude com quem menos queria. ele partiu e não voltou. para recomeçar, ele tinha suas técnicas e jeitos: costumava pedir. vem me apertar. Certa época queria aprender a fumar. sonhava em ser parecido com o cinema. o fotógrafo preferido. encostar e ser encostado na parede. na porta do armário. no batente do box. às vezes tenso, ou quando era turista, ou quando o trabalho o carregava, teve experiência boa com mulheres que apagavam a luz, um óleo e uma massagem minuto a minuto. relaxava as costas, o quadril e os pés. acordava cantando e o alongamento começava. e é pra chegar sabendo que o mar e a lua já foram amantes. Ele gostava também de aprender. auxiliar. auxiliares. às vezes, Marcelo tinha problemas com areia... deve ser porque na praia não tinha muitas referências. lembrava de escutar os caramujos. as ostras. o fato de não poder ver estrelas acompanhado. E como Marcelo costumava dizer no café da manhã: tive NOIA nos dois olhos aos 14 anos de idade.   
Amarelo (por Tiago Elídio), Mueller, Farhad
Estamos aí. E subir a ladeira. Apresento aqui um músico/compositor que divulga um agito suarado, faz bonito na Noite Paulistana e tem feito coisas interessantes: Ito Moreno ou aqui ou ali. E temos filmes, letras, poemas, criações, dramaticidades, festas e trios. E um conceito de revista/arte que vale a pena conferir: Nerve. E o site dos fotógrafos que andam se especializando em fotografia humana: Spencer Tunick, Natacha Merritt, Glen Glasser e Timothy Archibald entre outros. E para saber mais sobre a parte científica de NOIA, e acho que só não vale querer ser metodológico. Saudade de caneleiros. Beijos e abraços e apertos de mão. Valeu pelos comentários. Até, Otavio.
Escrito por Otavio Ranzani às 15h23
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